sábado, 16 de outubro de 2010

Aulas de práticas

         Quem sou eu?


Escrevi no artigo anterior que podemos ler nossa própria vida. Conhecer a nós mesmos. Mas, afinal de contas, quem sou eu?
Exercitar-se no autoconhecimento não é simples, embora seja necessário. O autoconhecimento é a urgente tarefa de auto-esclarecimento. Jung dizia: “Quem olha para fora, sonha – quem olha para dentro desperta.” E despertar é conhecer-se. Uma pessoa que se conhece de maneira insuficiente terá sérias dificuldades para ensinar porque está “dormindo”.
Acordado, percebo, leio em mim tantos conflitos, paradoxos, incongruências, possibilidades, talentos inexplorados e noto, sobretudo, que preciso ser melhor (evidentemente, esse melhor requer parâmetros, referencias, etc).
“Devo ser no mundo a mudança que eu quero ver no mundo”. Esse era o lema de Gandhi. E mais. Se para mudar o mundo eu preciso mudar quem eu sou, ao adquirir novas atitudes e abandonar certos comportamentos, começarei a transformar algo do mundo, pois faço parte dele. Se me torno menos intolerante, o mundo perde intolerância. Se eu me torno mais generoso, o mundo ganha generosidade.
Alguns filósofos partem do principio de que é impossível nos conhecermos. Uma contradição epistemológica. Como pode o sujeito do conhecimento ser, ao mesmo tempo objeto do conhecimento? Seria como querer morder o próprio dente.
Grandes pensadores, porem, baseiam a possibilidade de conhecer o mundo nossa primeira e fundamental busca. Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”. Santo Agostinho: “Sou uma pergunta para mim mesmo”.



Mudanças

Como efeito, o conhecimento de si mesmo não é conhecimento de um objeto qualquer. Por que se eu mesmo quem devo conhecer, conhecer-me é decidir quem eu quero ser: implica autocrítica, que, por sua vez, é a chance de efetivas mudanças pessoais.
Estaremos preparados para essa viagem do “eu” a si mesmo? Que tipo de equipamentos devemos levar para esta “dangerosíssima” viagem interior? Livros! Os bons livros não são feitos de papeis e letras. São feitos de espelho! Levam lembranças! E nelas nos espelhamos também. Levam inteligência “despertada” (Aristóteles observa que todos os homens são inteligentes, mas nem todos usam bem a inteligência que possuem), outro grande espelho.
Equipados com esses e outros elementos, poderei me conhecer? Fazendo perguntas sobre mim mesmo procurando vencer o auto-engano, conhecerei quem sou? Decidirei quem devo ser?
Um bom modo de começar a conhecer-nos é refletir sobre nosso comportamento em situações reais. Quem sou eu quando deparo com um problema em sala de aula? Quem sou eu quando corrijo um aluno com aspereza? Quem sou eu quando sinto a frustração morder-me a alma? Quem sou eu quando sofro na minha tarefa docente? Quem sou eu quando me alegro com os resultados de um bom trabalho?
À medida que avalio minhas ações e reações, à medida que me conheço melhor, posso reconhecer-me e, assim, orientar-me. Orientando-me melhor na estrada do mundo, sou um dirigente mais confiável para outras pessoas: saberei indicar-lhes com sabedoria o que aprendi nessas lições de mim para mim.

Gabriel Perisse é autor dos livros: O professor do futuro e Elogio da leitura. Professor do Programa de Mestrado em Educação da Uninove (SP). E-mail: perisse@uol.com.br      Visite o site: www.perisse.com.br

Um comentário:

  1. Olá meninos, estarei por aqui sempre fazendo umas visitinhas pra ver a produção de vcs...
    Sempre disponivel pra ajudar no que precisarem...
    Abraços
    Boa sorte no trabalho!

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